Este livro de Theodore Roszak, (que morreu em 2011 na Califórnia, aos 77 anos) cunhou a expressão “contracultura”, tentando dar um sentido a tudo que envolvia a juventude dos finais dos anos 50 e anos 60.
De repente, milhões de jovens em toda a parte levantaram-se contra o “sistema” (governo), os políticos, a guerra, as ditaduras militares, os professores, a autoridade em geral, a moral estabelecida, a sociedade de consumo, a arte “bem-feita”, os maiores de 30 anos ou, à falta de melhor, do pai e da mãe. No entanto isto não significava que todos protestassem contra as mesmas coisas. A contracultura foi a passagem do primado da razão (que levou uma parte ultrapolitizada da juventude a lutar contra as ditaduras, as desigualdades sociais, o sistema universitário, a censura etc.) ao primado da não razão (que fez com que outra parte preferisse sair das cidades e ir fumar drogas, fazer filhos, plantar e ouvir Jimi Hendrix no meio do mato).
Durante algum tempo, pareceu que a segunda facção - a dos hippies, drop-outs, psicodélicos, místicos, ocultistas e alienados em geral - iria prevalecer. Prometia-se um novo homem, sem os velhos defeitos, até que, naturalmente, o “sistema” absorveu esse antirracionalismo, converteu-o em produtos e serviços, e colocou-os à venda. A contracultura tornou-se a nova cultura, e com os mesmos vícios da anterior.
Roszak nunca aceitou bem essa conclusão. A contracultura não é uma fase na cultura popular depois cooptada e transformada em mercadoria pelo mesmo sistema que pretendia combater. Na verdade, se formos falar da contracultura como conceito (ideias e movimentos que propõem alternativas a modelos predominantes), é possível traçar um histórico que começa na Grécia Antiga e inclui os budistas zen, os iluministas do século XVIII e a boémia parisiense do início do século 20.
A contracultura floresce sempre e onde quer que alguns membros de uma sociedade escolham estilos de vida, expressões artísticas e formas de pensamento e comportamento que incorporem com sinceridade o antigo axioma segundo o qual a única verdade constante é a própria mudança. - “A marca da contracultura não é uma forma ou estrutura em particular, mas a fluidez de formas e estruturas, e a perturbadora velocidade e flexibilidade com que surge, sofre mutação, se transforma em outra e desaparece”, Timothy Leary
E onde está a contracultura hoje? Para Roszak, os ecos da contracultura estão entre nós até hoje na informalidade ao vestir, na comida mais saudável, na ecologia e nos direitos humanos. Podemos encontrá-la nos movimentos que combatem o capitalismo predatório, nos acampamentos de jovens nas praças espanholas, nas entidades pró-descriminalização, no Wikileaks, no cyber-activismo, na luta pelos direitos civis, etc.
A contracultura muitas vezes funciona como a vanguarda da sociedade. É o laboratório das ideias que serão aceitas pela maioria amanhã. É comum essa assimilação diluir a força (e até o sentido) do pensamento original, mas também acontece da sociedade aprender com a contracultura e adoptar as suas ideias na íntegra. “O caminho faz-se caminhando”, como disse o poeta castelhano António Machado.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Património Cultivado de Arouca
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Ao Encontro da Semente
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Manifesto
Ide!
e fazei coisas
acontecerem
Dos dois anos de
“Manobras” ficou no Porto um grupo de pessoas com vontade de continuar a
desenvolver actividades decorrentes da intervenção colectiva no espaço social e
urbano. Findo o vasto programa de eventos mais ou menos tutelados por uma
estrutura organizada, apoiados financeiramente por dinheiros comunitários
veiculados pela autarquia e que se centraram em dois momentos chave de animação
do Centro Histórico, parece que muitos de nós estamos com vontade de mostrar
que é possível um tipo diferente, mais descentralizado, mais autónomo e mais
independente de actuação.
Não temos qualquer
ideia rigidamente formatada para esta proposta. Acreditamos que pessoas se
podem organizar privilegiando a liberdade de iniciativa e actuação, sem
necessariamente dependerem da apoios financeiros institucionais integradores.
Porventura para uma
parte dos Manobristas, os que actuam profissionalmente nas áreas da animação
cultural e que estão vocacionados para abraçar projectos de maior dimensão que
necessitam de um substancial apoio económico para sair do papel, um tipo de
micro organização descentralizada e multi modal como esta agora iniciada pode
parecer distante da sua vocação.
Esperamos que outras
iniciativas e oportunidades possam surgir para continuar o Manobras nessas
vertentes mas não é, neste momento, essa a nossa via.
Acreditamos que se
podem implementar muitas acções e construir muitas relações e vivencias entre
as pessoas com recursos económicos escassos, numa lógica de intervenção de
proximidade, de pequena escala e, quem sabe, demonstrando que a felicidade das
pessoas pode ser atingida de forma mais sustentável e solidária pelos
valores do decrescimento virtuoso de Serge Latouche que pela manutenção da
lógica vigente do crescimento económico.
Acreditamos que a
existência de um espaço (ainda que apenas um simples blog - http://manobreirosporto.blogspot.pt)
de encontro/desencontro e construção da diversidade pode ser uma ferramenta
importante para a organização de cumplicidades, parcerias e projectos.
É este o desfio que
aqui se lança como ponto de partida à participação de todos os Manobristas e a
todos os outros que a nós se queiram associar.
Iniciativas como o
projecto do Jaime, com que abrimos o IDE, podem ser um exemplo deste tipo de
intervenção.
Juntamo-nos a este manifesto?
Contactem-nos e digam
se querem ser incluídos na lista para poderem postar no blog novos projectos ou
simplesmente partilhar com o grupo o que entenderem relevante (os comentários
já estão abertos a todos).
...e porque nada pode
substituir o contacto directo das pessoas o primeiro encontro Ide! está
na calha (em breve notícias no blog)
Quantos de nós serão
capazes de ir e fazer coisas acontecer?
Porto; 4 de Dezembro de
2012
Carlos Aguiar e Jaime Sarrósegunda-feira, 26 de novembro de 2012
Buainde Brubuletas!
Construir um modelo de um avião em madeira com propulsão a elásticos segundo os planos de um modelo japonês de 1911. Depois, uma competição de voo livre atravessando o Douro entre Porto e Gaia.
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